
O mercado de jogos independentes vive uma verdadeira explosão de roguelites nos últimos anos. A indústria testemunha projetos fracassados dividindo espaço com sucessos estrondosos nesse formato de repetição estruturada. Esse gênero mostra uma enorme versatilidade ao aplicar regras aleatórias em conceitos mecânicos já amplamente conhecidos.
As produtoras transformam desde caça-níqueis temáticos até baralhos comuns de cartas em jornadas de progressão cíclica. Nesse cenário de experimentação constante de sistemas tradicionais, o estúdio doinksoft apresenta sua mais nova aposta. Neste review de Dark Scrolls, analisamos como o título tenta abraçar muitas ideias de uma só vez.
A combinação de plataforma clássica com geração aleatória não traz nenhuma surpresa imediata ao mercado atual. A grande sacada da equipe mora na aplicação do caos visual do subgênero de nicho danmaku. Essa chuva ininterrupta de projéteis exige reflexos afiados e domina completamente a tela durante as lutas.
O projeto gráfico bebe diretamente da fonte nostálgica de vários gigantes imortais da era 8-bit. A direção de arte e a movimentação remetem a nomes de peso como Castlevania, Gauntlet e Ghosts ‘n Goblins. A Devolver Digital assina a publicação e reforça seu catálogo especializado em aventuras de ação puramente retrô.
A doinksoft ostenta um currículo respeitável com a entrega de obras redondinhas como Gato Roboto e Gunbrella. A história do novo lançamento segue exatamente a cartilha superficial das suas influências do passado distante. Uma rápida e simples cena inicial estabelece a busca frenética pelos fragmentos dos tais pergaminhos sombrios.
O roteiro não faz a menor diferença prática durante as dezenas de rodadas de pancadaria. O objetivo central exige obrigatoriamente que o jogador finalize a campanha muitas e muitas vezes. Cada vitória apertada sobre o chefe final garante apenas um pequeno pedaço do artefato para a coleção.
Review de Dark Scrolls: O Elenco e o Hub Inicial
O catálogo de guerreiros iniciais entrega apenas três opções disponíveis dentro de um total de nove vagas. O rústico bárbaro Bruto domina a tela arremessando machados pesados e pisando na cabeça dos oponentes terrestres. O poderoso mago Esmeraldo controla o campo de batalha disparando feitiços e executando esquivas aéreas rápidas.
A sorrateira ladina Colomba fecha o esquadrão base atacando os monstros com facas afiadas durante seus saltos. A liberação do resto da equipe acontece de forma muito cadenciada através de metas e missões secundárias. O aventureiro dedicado também pode esbarrar em personagens totalmente secretos vasculhando os cantos esquecidos dos mapas.
A cutscene de abertura arremessa o herói diretamente no centro de uma misteriosa base de operações geral. Esse pequeno cenário centraliza o menu de heróis, os vendedores e a porta de entrada cooperativa. O saguão abriga uma arena de testes para o usuário treinar combos e calcular o dano real.
O maior deslize dessa área de preparação reside na completa ausência de guias e de placas informativas. O ambiente não oferece NPCs amigáveis para orientar o uso básico das instalações ao redor do protagonista. O novato precisa deduzir a função exata de cada balcão apertando botões sem nenhum direcionamento da interface.
A Quebra de Ritmo nas Mecânicas de Loja
A exigência de adivinhar diretrizes básicas passa uma forte e constante sensação de um produto incompleto. A essência da aventura brilha de verdade durante a exploração direta das fases criadas por inteligência artificial. A arquitetura dos níveis se reconstrói do zero a cada morte para afastar a monotonia da repetição.
O nível de detalhamento dos mapas fica muito atrás de grandes marcos do gênero como a franquia Sonic. Mesmo com limitações claras, a mistura aleatória de obstáculos renova a navegação básica durante as primeiras tentativas. As incursões revelam salas seladas onde levas de inimigos surgem sem nenhum tipo de aviso prévio.
O desafiante ganha a obrigação de limpar a sala abatendo criaturas antes do fim do cronômetro da tela. O sucesso nesses eventos rápidos presenteia o avatar com a liberação de um enorme canhão de transporte. A ferramenta arremessa o lutador longe e poupa a caminhada por corredores repletos de poços de espinhos.
Essas arenas claustrofóbicas funcionam perfeitamente para acumular uma montanha de moedas derrubadas pelos monstros recém-derrotados. O ouro enche os bolsos e permite a compra de pacotes de auxílio nos balcões itinerantes do cenário. A parada para compras nas zonas de descanso evidencia a falha de comunicação das mecânicas principais.
A Saturação do Danmaku em Dark Scrolls
O herói junta estrelas brilhantes logo abaixo da barra de saúde enquanto distribui golpes nas hordas adversárias. A obtenção da marca de cinco estrelas destrava um poder supremo com o selo característico de cada classe. O defeito mora na falta de um aviso sobre como e quando gerenciar esse medidor de poder especial.
O catálogo de produtos do vendedor considera exatamente o número de luzes acumuladas na interface do usuário. Uma unidade estelar aumenta a velocidade, enquanto a posse de duas unidades aplica queimaduras constantes nos alvos. A falta de dicas congela as decisões táticas e confunde o julgamento momentâneo na hora de evoluir o personagem.
A melhor estratégia prática exige o gasto da habilidade suprema assim que o limite máximo acender na interface. O disparo limpa o medidor e permite aproveitar as opções variadas de melhorias dinâmicas durante a caminhada. Uma única janela de aviso no centro de treinamento teria prevenido esse atrito na curva de aprendizado inicial.
As modificações de base oferecem ganhos simples, alterando apenas a rapidez dos projéteis ou os passos do herói. O investimento de tempo desbloqueia benefícios complexos e combos espetaculares na sede principal entre as viagens frustradas. As misturas mirabolantes de habilidades elevam o nível de diversão e sustentam o fator de rejogabilidade.
Caos Multiplayer e Chefões Previsíveis
O domínio da matemática de atributos muda totalmente o nível de pressão imposto pelos corredores gerados pelo sistema. O grau de estresse despenca drasticamente quando um parceiro entra na partida usando os recursos de multiplayer local. O poder de fogo em dose dupla derrete as defesas e facilita a travessia segura pelas piores emboscadas.
A ajuda valiosa no combate cria um problema sério no rastreio da ação na sua própria televisão. O volume exagerado de magias coloridas e tiros voadores instaura um verdadeiro caos de poluição gráfica indomável. Fica extremamente difícil acompanhar os pequenos movimentos de esquiva no meio de tantas luzes estourando ao mesmo tempo.
A experiência de sofá acompanhada de um parceiro disfarça os tropeços criativos da rotina de design das plataformas. O primeiro contato com a obra na Gamescom Latam entregou uma ilusão de grandiosidade que não se sustentou no produto final. O lançamento oficial expôs fissuras que enfraquecem o impacto de uma ideia que parecia ter enorme potencial na feira.
O motor de repetição procedural reaproveita peças de cenário muito rápido, anulando a magia de explorar novos caminhos. O jogador identifica os mesmos agrupamentos de blocos logo depois de passar algumas poucas horas ligando o controle. A existência de rotas divididas no mapa geral falha em maquiar a simplicidade das texturas e o formato das plataformas.
O fechamento das fases esbarra no incômodo sistema de líderes de área estáticos e de comportamentos fáceis de decorar. Os grandes vilões marcam ponto final sempre no exato mesmo lugar e executam animações facilmente previsíveis após poucos confrontos. A decisão de abandonar a alta punição tradicional da família Ghosts ‘n Goblins tirou parte do tempero de perigo iminente.
A aventura termina como um projeto razoável perdido em um mar de roguelites bem mais trabalhados pelas desenvolvedoras concorrentes. O saldo não o classifica como um produto ruim, mas elimina as chances de entrar nas grandes conversas de premiações. Uma rodada encorpada de correções e de novos pacotes de conteúdo pode virar o jogo de maneira definitiva.
Nota do Crítico
Bom
Wellington Farias
O Veredito
Dark Scrolls mistura plataforma retrô com caos danmaku, mas tropeça na execução. A falta de tutoriais, poluição visual no co-op e chefões repetitivos ofuscam o potencial do roguelite da doinksoft, deixando-o mediano em um mercado bastante saturado.
Ficha Técnica
- Título: Dark Scrolls
- Ano de Lançamento: 2026
- Desenvolvedora: Doinksoft
- Distribuidora: Devolver Digital
- Plataformas: PlayStation 5, Xbox Series X|S, PC
- Gênero: RPG de Ação
- Modos de jogo: Single-player, Multiplayer
