
A famosa frase “viver é sofrer” resume perfeitamente a essência de Onimusha: Way of the Sword. O tão aguardado reboot da Capcom abandona as raízes puras do terror de sobrevivência dos títulos antigos.
O projeto abraça de vez a ação samurai frenética e pune fortemente quem joga sem atenção plena. O jogador assume o papel do lendário guerreiro Miyamoto Musashi em uma perigosa missão de resgate em território corrompido.
A trama exige salvar o Japão após a abertura de um gigantesco portal direto para o inferno. A dor dos personagens diante do caos reflete a dificuldade extrema imposta a quem segura o controle e tenta avançar nos cenários.
O desafio narrativo escala rapidamente e cobra um domínio quase absoluto das novas mecânicas de luta corpo a corpo. A sensação de superar um obstáculo aparentemente impossível entrega o verdadeiro prazer oferecido por este grande lançamento da franquia.
A Origem do Poder em Onimusha: Way of the Sword
A campanha começa de forma bastante dramática com a morte violenta e repentina do protagonista. Musashi cai rumo ao profundo abismo do inferno, mas recebe uma segunda chance milagrosa no último segundo de queda.
O guerreiro retorna à vida terrena após herdar uma misteriosa manopla mística de origem totalmente desconhecida. Esse artefato alienígena canaliza o poder bruto dos Onis, entidades espirituais antigas capazes de abençoar ou amaldiçoar os seres humanos.
O herói aceita a relutante missão de exterminar as grotescas e temíveis hordas de monstros Genma. Essas criaturas demoníacas invadem as defesas e destroem as terras de Quioto sob as ordens severas de generais impiedosos.
A progressão de habilidades dita o ritmo da exploração do mapa e da cadência dos confrontos armados. Musashi adquire dezenas de novas técnicas ao longo das horas para conseguir encarar o crescente exército das trevas de frente.
A desenvolvedora desenhou batalhas cinematográficas e altamente punitivas para os padrões do gênero de ação. A primeira hora e meia sofre com um ritmo muito lento, lotado de longos tutoriais travados e excessivas cenas de corte não interativas.
A Mistura de Referências e Identidade Visual

O formato de exploração bebe direto da fonte dos lançamentos mais recentes da série Resident Evil. O cenário alterna inteligentemente entre corredores lineares focados na narrativa e pequenos mapas abertos que recompensam os jogadores mais curiosos.
A estrutura pesada de lutas busca forte inspiração na quebra de postura vista na franquia Monster Hunter. A vitória depende diretamente da agilidade em reduzir a barra de vigor do adversário a zero para conseguir abrir a guarda pesada.
Mesmo usando essa famosa mistura de sucessos de vendas do estúdio, a obra final possui uma identidade incrivelmente autêntica. O foco recai sobre o reflexo puro, a velocidade constante dos dedos e a capacidade de leitura de movimento dos inimigos.
A direção de arte merece pesados aplausos por transformar a histórica cidade de Quioto em uma visão macabra e assustadora. O ambiente opressivo noturno resgata a atmosfera densa e pesada dos clássicos do PlayStation 2 de forma muito competente.
A Dança das Espadas e o Sistema de Combate
O layout de botões exige uma rápida e intensa adaptação mental logo nas primeiras horas de patrulha na campanha. A configuração mais ofensiva do menu de opções altera o clássico ataque no quadrado por comandos estritamente reativos nos gatilhos.
Essa mudança técnica drástica força o usuário a ler o ambiente hostil e agir sempre com precisão milimétrica. Sobreviver aos dolorosos encontros mais violentos requer domínio total da difícil técnica de aparar os golpes rivais no tempo correto (parry).
A mecânica de defesa perfeita funciona como a principal espinha dorsal de todo o pesado combate armado. Acertar o segundo exato de esquivas físicas e de rápidos contra-ataques transforma capangas e inimigos colossais em pó na mesma hora.
O balanço da dificuldade pune duramente a arrogância desmedida ou o medo excessivo de avançar sobre os alvos parados. A falha cobra um preço altíssimo e esvazia a barra de vitalidade, mas raramente deixa um gosto amargo de roubo ou falha de programação do sistema.
A sensação constante gerada pelo aprendizado orgânico é que o domínio do balé de katanas exige apenas um pouco mais treino prático. As amargas derrotas sempre ensinam diferentes padrões de ataque e incentivam novas tentativas de invasão usando estratégias de sobrevivência totalmente ajustadas.
A Construção do Herói e os Confrontos Contra Chefes

As batalhas contra os chefões flutuam constantemente entre o nível da excelência mecânica e do puro espetáculo visual cinematográfico. Os embates cruzam perfeitamente os cortes físicos extremamente rápidos da espada com o uso inteligente das habilidades mágicas sobrenaturais liberadas pela manopla mística.
O título oferece um sistema muito elogiado de revanches diretas contra os grandes e impiedosos líderes do clã Genma. Esse valioso recurso aproveita o ápice total da jogabilidade de ação quando a apresentação gráfica atinge sua nota máxima de polimento na tela.
O carisma narrativo do texto ganha um grande peso extra na moldagem visual e comportamental do próprio protagonista da aventura. O modelo tridimensional carismático de Musashi homenageia brilhantemente a famosa lenda do cinema japonês Toshiro Mifune, eternizado pela obra Sete Samurai.
A forte personalidade esculpida do guerreiro mistura traços de heroísmo clássico dos contos antigos com um humor quase beirando ao papel de palhaço. Essa bem-vinda leveza irônica nas falas quebra a enorme tensão pesada do cenário infernal e aproxima facilmente o jogador do habilidoso espadachim.
Problemas de Ritmo e a Longa Reta Final da Campanha
O jogo infelizmente tropeça feio na hora de calcular e sustentar a duração cronológica ideal da sua densa história de invasão. A linha principal arrasta o desfecho dramático por extensas 25 a 30 horas de gameplay, prolongando a estadia geral além do formato recomendável.
O problema central foge apenas do relógio numérico e afeta diretamente a escassez de criatividade na variedade dos objetivos práticos propostos. O exausto roteiro recicla alvos repetitivos e exige o fechamento braçal e demorado de incontáveis “fendas” demoníacas menores espalhadas aleatoriamente pelo território japonês.
A fadiga mental do jogador dispara gravemente quando dois chefes principais e imponentes viram capangas inimigos comuns de forma repentina. O usuário cansado encara repetidas vezes as exatas mesmas versões recauchutadas desses vilões gigantes durante as repetitivas varreduras de missões decisivas do enredo.
O sistema de progressão de níveis engessado piora essa forte sensação de estagnação de poder e de repetição constante no último terço jogável da jornada. Os caríssimos aprimoramentos feitos nos pontos brutos de ataque parecem não surtir qualquer diferença ou efeito prático contra as espessas armaduras blindadas dos oponentes de elite.
Missões Secundárias e o Saldo da Aventura

O escasso conteúdo paralelo espalhado pelo mundo sofre duramente com a total falta de criatividade criativa e de prêmios justos que compensem o desvio de rota. A livre exploração solta do mapa sombrio e as breves missões paralelas secundárias entregam apenas tarefas incrivelmente sem tempero, genéricas e bastante entediantes.
A busca por itens cobiçados de aprimoramento de ferreiro através de pequenos favores prestados a terceiros vira pura perda de tempo valioso no cronograma. A progressão puramente linear percorrida na história principal já fornece naturalmente todos os recursos úteis suficientes para encerrar a longa narrativa sem sofrimento extra e com moedas sobrando nos bolsos.
O foco tático quase exclusivo na lista estrita de tarefas essenciais poupa o corajoso usuário de pesadas irritações mecânicas desnecessárias com os sistemas paralelos mal otimizados. A nítida e exagerada gordura artificial de horas extras inserida pelos engravatados produtores japoneses mancha um pouco o excelente ritmo de ação frenética conquistado brilhantemente pela direção artística na metade inicial da campanha.
Mesmo carregando alguns vícios estruturais de alongamento forçado de design de fases, a vigorosa ação armada consegue ofuscar boa parte dos escorregões técnicos quando as katanas cruzam faiscando aço na tela. A arriscada e rápida execução correta de uma complexa defesa perfeita contra uma fera agressiva gigantesca e altamente intimidadora entrega exatamente o tipo de catarse nervosa e aliviante esperada de uma obra desse nicho. O lançamento caprichado revitaliza fortemente a linhagem nobre de hack and slash do estúdio asiático e reconquista muito do prestígio perdido dos jogos de espadachins entregando lutas velozes e chefões inegavelmente marcantes para a cultura gamer.
Nota do Crítico
Ótimo
Wellington Farias
O Veredito
Onimusha: Way of the Sword abandona o terror por um combate samurai brilhante focado em defesas perfeitas. Apesar da campanha arrastada e missões secundárias fracas, a ação intensa e os chefões marcantes garantem um ótimo retorno para a franquia.
Ficha Técnica
- Título: Onimusha: Way of the Sword
- Ano de Lançamento: A anunciar
- Desenvolvedora: Capcom
- Distribuidora: Capcom
- Plataformas: PlayStation 5, Xbox Series X|S e PC (Windows e Steam)
- Gênero: Ação, Hack and Slash, Aventura
- Modos de jogo: Um jogador (Campanha)
