
A indústria dos videogames assiste a uma verdadeira aula de maturidade criativa com a chegada de Control Resonant. O badalado estúdio finlandês Remedy emplaca o que tem tudo para ser seu terceiro sucesso consecutivo nas grandes premiações de Jogo do Ano.
A equipe de desenvolvimento aperfeiçoou a arte de contar histórias esquisitas e altamente envolventes. Eles dominam uma vertente do terror sobrenatural que a cultura pop raramente consegue replicar com tanta qualidade e coesão narrativa.
Esta nova aventura escancara um amadurecimento absurdo dentro desse molde surrealista proposto pelos criadores. O projeto eleva o nível técnico e conceitual da empresa, provando que o sucesso das narrativas anteriores passou longe de ser um mero golpe de sorte no mercado.
A sequência direta do aclamado título de 2019 não esconde a ambição de superar o seu antecessor em todos os aspectos. O mapa é consideravelmente maior, a campanha dura mais tempo e as bizarrices visuais atingem escalas cósmicas na tela.
A Redenção de Dylan Faden e a Ameaça em Manhattan
Desta vez, o jogador assume o controle de Dylan Faden, o problemático irmão da antiga protagonista Jesse. Ele surge como o último e desesperado recurso do Departamento Federal de Controle para conter uma crise de proporções apocalípticas.
O famoso Ruído, força que virou a Antiga Casa de cabeça para baixo há sete anos, retorna com força total. Para piorar a situação, a anomalia ganha a companhia de uma segunda entidade misteriosa e absurdamente poderosa.
Esse novo inimigo bizarro deflagra um evento letal classificado pelas autoridades como Padronalização. A catástrofe atinge o coração de Manhattan, distorcendo a arquitetura urbana e transformando prédios reais em paisagens fractais assustadoras.
Os elementos da cidade começam a se repetir em um padrão geométrico infinito e visualmente perturbador. É justamente dessa distorção urbana que nascem os monstruosos Ressonantes, as aberrações que dão título ao jogo e caçam o protagonista.
Dylan encara um desafio brutal em múltiplas frentes, precisando primeiro vencer a enorme desconfiança do DFC. O protagonista também trava uma batalha interna violenta para provar a si mesmo que não representa mais um risco para a humanidade.
Vale lembrar que o irmão de Jesse atuou como um receptáculo corrompido para o Ruído no passado. Ele cruzou o caminho da própria irmã como um inimigo feroz, e agora busca limpar sua ficha e salvar a metrópole do colapso total.
A Arma Aberrante e o Combate Frenético

Além de superar traumas mentais profundos, Dylan precisa decifrar a natureza alienígena dessas entidades sombrias. O herói faz isso enquanto explora o poder destrutivo da Aberrante, uma arma metamorfa que dita o ritmo da ação.
O armamento letal chega às mãos do protagonista como um presente de despedida deixado por Jesse, que encontra-se desaparecida. Esse equipamento transforma Control Resonant em um hack’n’slash frenético, veloz e banhado a sangue.
A lâmina orgânica consegue se reconstruir em uma variedade gigantesca de formatos mortais durante as lutas. O dinamismo do equipamento garante que o jogador nunca sinta tédio ao dilacerar as hordas inimigas espalhadas pelo cenário urbano.
As opções primárias de ataque incluem uma Foice ágil, um Cutelo pesado e um par de Adagas velozes. O sistema permite combinar esses formatos com variações secundárias e finalizadores de combo altamente viscerais.
As faces da Aberrante multiplicam as possibilidades de combate, oferecendo dezenas de estilos de jogo diferentes. O sistema incentiva a experimentação constante, forçando o jogador a trocar de arma para explorar a fraqueza de cada criatura específica.
O encorajamento tático esbarra em uma curva de dificuldade que surpreende até os veteranos do gênero. O título original exigia atenção, mas esta continuação joga o nível de desafio para as alturas, punindo erros com severidade.
A ação abandona a velha cartilha de esperar janelas pré-definidas de defesa e ataque dos chefões. Dylan e as abominações nova-iorquinas pensam apenas em atacar, transformando cada pequeno confronto em uma disputa brutal e sem pausas para respirar.
Sobrevivência e Progressão no Mundo Semi-Aberto
Os recursos de progressão existem para facilitar a vida do jogador, mas exigem bastante leitura e testes práticos. Demora um tempo até o usuário perceber que desbloquear novas formas da lâmina aumenta o poder base do protagonista permanentemente.
A árvore de habilidades possui ramificações complexas que alteram drasticamente os atributos de defesa e ataque do herói. O texto dos menus demanda muita atenção para que os efeitos passivos sejam combinados com inteligência e eficiência.
Explorar as vielas distorcidas de Manhattan funciona como o terceiro e principal pilar da evolução mecânica. O ato de vasculhar os cenários rende upgrades vitais de saúde e força, além de revelar o esconderijo das grandes ameaças da campanha.
Os temíveis chefões ficam espalhados de maneira muito discreta pelos becos da cidade corrompida. O jogo obriga o confronto com apenas uma parcela reduzida desses monstros para liberar os créditos finais da história.
A caçada aos vilões opcionais exige paciência e um olhar clínico sobre a arquitetura do mundo semi-aberto. A ausência de marcadores óbvios no mapa torna a busca orgânica, fazendo o jogador suar para localizar esconderijos secretos.
O Desafio Labyríntico dos Ressonantes

Encontrar os esconderijos aciona tarefas diferenciadas antes do embate físico começar para valer. O design de níveis exige a superação de quebra-cabeças labirínticos e seções de plataforma de alta complexidade.
Essa estrutura funciona como uma masmorra instigante que antecede o clímax de violência. As mecânicas de movimentação fluida entregam uma verticalidade imensa, tornando a navegação pelos arranha-céus uma atividade muito prazerosa e ágil.
Os Ressonantes representam o auge do talento da Remedy na construção de batalhas contra grandes chefes. A equipe absorveu as lições do passado e misturou a criatividade dos cenários com o design grotesco dos monstros imponentes.
O embate puro e simples não garante a vitória do jogador contra esses titãs dimensionais. Cada duelo exige a formulação de estratégias únicas e soluções lógicas pontuais para furar as defesas alienígenas.
Derrotar essas abominações garante recompensas pesadas, permitindo herdar habilidades cósmicas dos adversários caídos. Dylan consegue equipar seis desses poderes simultaneamente, montando uma build adaptada para o combate corpo a corpo.
Alguns desses poderes alteram timidamente a dinâmica de esquiva, enquanto outros quebram totalmente a escala de força do herói. E é exatamente no peso dessas magias que o jogo escorrega em alguns momentos cruciais.
Problemas de Balanceamento e o Triunfo do Terceiro Ato
O balanceamento das lutas desponta como o único calcanhar de Aquiles real da experiência. A falha técnica remete bastante às velhas reclamações da comunidade em títulos de ação altamente punitivos e extensos.
Parece que a equipe de programação perdeu o contato com a realidade do jogador após testar o produto por anos. O erro gera ondas inimigas que soam totalmente desleais devido à quantidade absurda de criaturas agressivas atacando ao mesmo tempo.
A balança também quebra para o outro lado quando Dylan adquire um atirador de esporos fungais no meio da jornada. Essa arma específica derrete a barra de vida dos últimos chefes com uma facilidade cômica e desproporcional.
Essa experiência difusa de combate gera pequenos tropeços de ritmo durante toda a extensão do segundo ato. Felizmente, um pacote de atualizações de lançamento deve corrigir rapidamente esses números de dano sem maiores dramas para a comunidade.
O deslize numérico é facilmente esquecido quando a genialidade absoluta do terceiro ato toma conta do controle. A narrativa engata a quinta marcha e arrebata o espectador com um clímax frenético, ousado e repleto de puro estilo visual.
Uma trilha sonora épica estoura repentinamente nas caixas de som, ditando o ritmo de uma sequência alucinante. O jogador navega por ambientes que desafiam a gravidade e enfrenta desafios que testam todos os reflexos construídos até ali.
O diretor Mikael Kasurinen solta as amarras da própria mente e atinge um patamar artístico dificílimo de superar. A reta final consagra a obra como um dos games mais bizarros, bonitos e divertidos já produzidos na era moderna.
A Profundidade das Missões Secundárias

O encanto visual da aventura principal acaba ofuscando injustamente o capricho dedicado ao conteúdo extra do mapa. As missões paralelas recebem um tratamento de luxo, descartando completamente o formato preguiçoso de caçar itens genéricos repetidamente.
Os objetivos secundários esbanjam humor e situações inusitadas no meio do caos nova-iorquino. Consertar uma lâmpada com fobia de eletricidade ou buscar brinquedos para cães dimensionais são tarefas hilárias e criativas.
Essas pequenas narrativas escondem habilmente a obrigação burocrática de acumular pontos de experiência. A leveza dos roteiros paralelos refresca a mente do jogador entre os combates mais exaustivos e sombrios da missão principal.
A oficial Zoe De Vera, interpretada com maestria pela atriz Frankie Kevich, acompanha o herói pelo rádio comunicador. A policial entrega diálogos ácidos e conselhos vitais enquanto Dylan salta pelos telhados repletos de perigos mortais.
A presença de Zoe impede que a jornada se torne solitária e depressiva demais para o consumidor final. A química entre os dois personagens ajuda a pavimentar o clima misterioso e irônico do universo construído.
A Remedy prova que assumir grandes riscos financeiros e criativos compensa no final do dia. O estúdio trocou tiros clássicos por sobrevivência, e agora mergulha num combate focado em combos e evolução orgânica de status.
Essa constante quebra de zona de conforto garante uma originalidade valiosa em um mercado abarrotado de continuações covardes. O projeto transmite uma confiança enorme e consolida a visão ousada da produtora escandinava.
Control Resonant enterra o velho discurso de que jogos de grande orçamento precisam seguir receitas seguras e sem alma. A empresa finlandesa entrega uma obra de arte bizarra que força as barreiras da ação para um horizonte incrível e assustador.
Nota do Crítico
Excelente
Wellington Farias
O Veredito
Control Resonant consolida a maturidade da Remedy com um hack’n’slash bizarro e brilhante. Apesar de pequenos deslizes no balanceamento, o combate frenético e o terceiro ato apoteótico transformam o título em uma das experiências mais originais do ano.
Ficha Técnica
- Título: Control Resonant
- Ano de Lançamento: 2026
- Desenvolvedora: Remedy Entertainment
- Distribuidora: Remedy Entertainment
- Plataformas: PlayStation 5, Microsoft Windows, Xbox Series X e Series S, macOS
- Gênero: Ação / Hack’n’slash
- Modos de jogo: Um jogador (Single-player)
