(O texto abaixo contém spoilers do sétimo episódio da 3ª temporada de A Casa do Dragão)
O sinal de alerta acendeu de vez nos corredores de Westeros. A Casa do Dragão 3×07 freia a empolgação inicial da temporada e entrega um roteiro bastante problemático. O episódio “O Dragão no Inverno” tenta mascarar suas falhas narrativas com reviravoltas repentinas e ação vazia.
O sétimo capítulo deixa um gosto bem amargo na boca dos fãs da franquia. A produção abandona a política densa para apostar em atalhos e soluções mágicas de roteiro. A reta final da guerra corre um sério risco de perder o fôlego antes da linha de chegada. Em vez de aprofundar os dilemas dos protagonistas, a direção prefere focar em momentos de choque que logo perdem o impacto. É frustrante ver uma trama antes tão amarrada tropeçar justamente quando deveria brilhar. A audiência exige consistência, pois a disputa pelo poder merecia um cuidado narrativo muito maior.
A Casa do Dragão 3×07 Sofre com Decisões sem Consequências
Os roteiristas adotaram o hábito perigoso de criar eventos grandiosos do nada. O embate direto entre Rhaena e o selvagem Sheepstealer exemplifica perfeitamente essa preguiça criativa. A série larga os conflitos políticos reais para focar em uma briga familiar genérica com escamas.
O confronto rende um visual bacana, mas carrega zero peso dramático para a história. A treta serve apenas como mais uma desculpa barata para Daemon Targaryen esconder informações valiosas. Essa dinâmica do casal protagonista entrou em um looping cansativo de desconfianças e brigas repetidas.
O público perde a chance de ver as consequências duras da liderança no continente. O roteiro prefere bater na mesma tecla conjugal em vez de avançar o tabuleiro da sucessão.
O Declínio de Rhaenyra Targaryen e as Bizarrices em Harrenhal
O arco de Rhaenyra Targaryen sofre um empobrecimento visível e lamentável nesta rodada. A série afasta a monarca da gestão pública, que antes rendia os melhores diálogos do ano. O foco muda para interações esquisitas com Helaena e manipulações sexuais articuladas por Mysaria.
Longe da capital, a presença de Alicent em Harrenhal gera sentimentos bem mistos. A ex-rainha encara as perversões e a obsessão familiar do próprio filho caolho. Essa tensão íntima funciona isoladamente, mas trava o principal antagonista da guerra no mesmo cenário.
Fica a forte sensação de que Aemond está marinando no castelo amaldiçoado sem rumo definido. A trama paralela parece desconectada da realidade militar que consome o resto dos Sete Reinos.
O Truque de Sunfyre e a Estratégia de Ormund
Em Tumbleton, Ormund Hightower carrega as costas da estratégia militar dos Verdes. O lorde usa Corlys Velaryon como refém para barrar o apoio naval dos Pretos. Ele também manipula o bastardo Ulf, demonstrando grande habilidade nos bastidores táticos do conflito.
Apesar da inteligência nítida, o personagem parece jogar uma partida isolada do restante do elenco. Já o núcleo do antigo rei protagoniza a virada mais forçada de toda a exibição. Larys abandona Aegon de forma bizarra após descobrir que soldados aliados procuram por Tyland.
Para piorar a situação dramática, Sunfyre ressurge milagrosamente do nada para matar as tropas inimigas. O dragão volta sem nenhum aviso para salvar a vida do monarca moribundo. A cena soa como um truque muito barato para chocar a audiência sem justificativa.
O sétimo capítulo desperdiça uma parcela gigantesca do potencial construído nas últimas semanas. A HBO corre o sério risco de entregar um desfecho narrativo tão decepcionante quanto o segundo ano. A equipe precisa corrigir os rumos com urgência, ou a Dança dos Dragões terminará totalmente sem brilho.
Nota do Crítico
Regular
