Crítica | Os Invencíveis (The Good, the Bad, the Weird): O Caos Divertido do Faroeste Coreano

Os Invencíveis (The Good, the Bad, the Weird)

O cinema asiático de ação encontra maneiras criativas de subverter gêneros clássicos. A nossa crítica de Os Invencíveis (The Good the Bad the Weird) analisa uma homenagem direta e insana ao clássico Três Homens em Conflito, de Sergio Leone. A produção, rebatizada com o questionável título de Os Invencíveis no Brasil, foge de ser uma mera cópia barata.

O diretor Kim Jee-woon injeta uma dose gigantesca de humor físico e uma brutalidade quase cartunesca na fórmula do spaghetti western. O resultado prático nas telas beira o descontrole total a cada novo disparo trocado. Esse choque cultural agressivo cria uma obra verdadeiramente única e muito vibrante para qualquer fã da cultura pop atual.

Um Faroeste no Deserto da Manchúria

A obra ignora o tradicional Velho Oeste americano para abraçar as areias da Manchúria ocupada. A década de 1930 serve como um pano de fundo turbulento, perfeito para acomodar a selvageria de exércitos militares, bandidos cruéis e perigosos caçadores mercenários em busca de poder e dinheiro vivo.

Um mapa do tesouro misterioso funciona como a mola propulsora de toda a confusão armada. O cobiçado papel circula rapidamente entre mãos gananciosas, provocando alianças provisórias forçadas e traições bem sangrentas sob o sol impiedoso que castiga o deserto hostil diariamente durante a longa jornada.

O cineasta prefere atirar todos os seus personagens em um autêntico parque de diversões sujo e muito violento. A narrativa linear e arrumadinha é escanteada intencionalmente, dando total espaço para que a pura lógica cerebral ceda lugar rápido ao instinto primitivo e selvagem de sobrevivência.

Esse cenário hostil ajuda a consolidar a verdadeira identidade visual de um legítimo faroeste oriental. Chapéus sujos, casacos compridos e velozes montarias estão presentes em cena, mas o contexto geopolítico reconstrói o ambiente em uma mistura rica e maravilhosamente anárquica para todos os entusiastas de ação.

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O Trio Principal do Cinema Asiático de Ação

O ator Jung Woo-sung encarna com muita perfeição o arquétipo clássico do atirador letal infalível. A sua postura corporal rígida e o figurino elegante criam um forte choque visual contra a bagunça desenfreada, soando como um implacável atirador heroico chique deslocado em um filme de comédia pastelão.

O grande contraponto cômico surge em tela na vaidosa figura de Lee Byung-hun, que assume a pele do antagonista Mau. O vilão esbanja uma pura maldade teatral brilhante, atirando com muita pose física e mantendo o cabelo absurdamente intocável no meio das enormes explosões quentes de dinamite.

O longa-metragem pertence de corpo e alma ao carisma absoluto do grande astro Song Kang-ho. O Estranho assume a difícil missão de sustentar inteiramente o motor cômico central da fita, correndo desesperado do perigo real, mentindo compulsivamente e improvisando altas fugas malucas com táticas de combate hilárias.

Kang-ho possui uma habilidade motora fenomenal invejável para liderar cenas complexas de puro humor físico sem o menor medo do ridículo social. O caçador medroso foge dos difíceis confrontos usando uma enorme esperteza maliciosa afiada, integrando-se de forma bem orgânica ao denso e divertido caos que domina a exibição.

Coreografia do Caos

As melhores e maiores sequências estouram na tela iluminada quando a direção abraça o caos físico sem vergonha. O fenomenal tiroteio de abertura gravado dentro do trem em movimento dita um ritmo veloz de assalto armado e pancadas fortes entre os vagões lotados de inocentes. É uma autêntica dança da morte armada.

Kim Jee-woon conduz toda a agressividade com um perceptível e gigantesco prazer estético e muita técnica de filmagem. Os lindos planos abertos organizam toda a geografia da grande confusão geral, permitindo tranquilamente ao público acompanhar a destruição completa do luxuoso e barulhento comboio ferroviário viajando em alta velocidade pela ferrovia.

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A veloz e muito picotada montagem dos rápidos cortes flerta de perto com o imenso excesso de informações coloridas visuais, mas jamais deixa a eletrizante energia cair pela metade. A equipe foca brutalmente no espetáculo acrobático humano, fugindo fácil da monotonia de apresentar somente a velha troca passiva de chumbo no chão liso.

A Perseguição Final Pela Sobrevivência

A absurda sequência da corrida mortal presente no ato final representa perfeitamente o alto ápice lógico dessa loucura fílmica coreana. Inúmeros e assustados cavalos, motocicletas antigas envenenadas, resistentes carros blindados e até barulhentos canhões militares convergem brutalmente e de uma vez para o exato mesmo minúsculo pedaço de areia amarelada da Manchúria.

O roteiro resguarda um excelente e inteligente espaço interno do texto para rir dos surrados arquétipos heroicos construídos em volta dos sisudos caubóis americanos. Essa afiada e cruel abordagem satírica picota em vários pedaços aquele pesado clima masculino dramático e sombrio rotineiramente presenciado nas velhas e aclamadas obras clássicas de época.

Existe sim uma grande e brilhante surpresa escondida aguardando ansiosamente quem embarca animado nessa caçada longa e empoeirada pelos milhares em ouro e tesouros soterrados. O bom desfecho encobre uma fantástica reviravolta conclusiva pontual que encerra logo esse enorme absurdo de um jeito maravilhosamente satisfatório, muito engraçado e cem por cento coerente.

O Veredito de Os Invencíveis

Ao trancarmos a pauta desta avaliação propositalmente caótica e insana, percebemos que o equilíbrio emocional e dramático nunca figurou nas longas reuniões de roteiro do estúdio asiático de produção. O cobiçado filme distribui falhas humanas, exala adrenalina e cultiva imensas confusões que vão exaurir imediatamente os elitistas espectadores em busca de arcos filosóficos.

O talentoso cineasta rouba para si os maiores e lendários símbolos visuais forjados duramente na antiga época de ouro dos estúdios grandes de Hollywood e os destrói num espetáculo recheado de energia. Ele enterra a poeirenta moralidade cínica do faroeste espaguete europeu para oferecer uma montanha-russa viva, bem original e altamente carregada de pólvora fumegante.

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A produção de orçamento recheado atira às cegas buscando atingir diversas direções inimagináveis juntas e consegue furar exatamente o precioso centro do cobiçado alvo do valioso entretenimento pipoca escapista. Solte rapidamente as amarras limitadoras presas da sua mente e ajuste os cintos para aguentar um dos mergulhos violentos mais sujos e sensacionais de toda a vigorosa sétima arte oriental contemporânea.

Nota do Crítico

Excelente

Wellington Farias

O Veredito

A nossa crítica de Os invencíveis – The Good the Bad the Weird conclui que o longa subverte o faroeste clássico com humor físico e caos. É uma montanha-russa coreana violenta, insana e incrivelmente divertida, perfeita para quem busca ação pura sem amarras morais.

Ficha Técnica

  • Título: Os Invencíveis (좋은 놈, 나쁜 놈, 이상한 놈 / The Good, the Bad, the Weird – Coréia do Sul, 2008)
  • Direção: Kim Jee-woon
  • Roteiro: Kim Jee-woon, Kim Min-suk
  • Elenco: Song Kang-ho, Lee Byung-hun, Jung Woo-sung, Yoon Je-moon, Ryu Seung-soo, Song Young-chang, Ma Dong-seok, Son Byong-ho, Oh Dal-su, Uhm Ji-won, Hakuryu
  • Duração: 139 min.

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