Crítica | A Lenda de Aang: O Peso da Culpa e o Amadurecimento Forçado no Livro Dois: Terra

O progresso narrativo regular entre temporadas costuma ser uma cobrança óbvia do grande público consumindo histórias seriadas nas telas. A teoria cobra a dura evolução constante dos criativos roteiros episódicos dotados de uma forte e instigante trama contínua. Porém, pouquíssimas obras executam essa arriscada transição televisiva com tamanha maestria e naturalidade como a nossa amada criação americana de ares orientais. O elogiado Livro Dois: Terra consolida firmemente o sonhado e difícil ápice absoluto do verdadeiro amadurecimento dramatúrgico contemporâneo focado na juventude.

Os talentosos redatores aproveitam inteligentemente a gigantesca e sólida fundação construída no ano anterior para ousar intensamente na nova tentativa dramática. A primeira leva de capítulos montou sabiamente as imutáveis leis mágicas que regem as dobras e delineou as diretrizes do nosso cômico grupo de salvadores e protetores. A experiente equipe de animadores decide fazer o duro e certeiro movimento de desestruturar por completo o cenário e pressionar fortemente a mente dos garotos em fuga militar.

A atração colorida eleva o peso da violenta transição juvenil dos personagens ao nível máximo na escala de periculosidade imposta pelo reino das chamas cruéis invasoras. A jornada anterior conseguiu ilustrar perfeitamente uma trágica e pesada quebra precoce da inocência lúdica logo após os primeiros encontros com a máquina de guerra esmagadora. Esta segunda e formidável rodada de aventuras amarra esse duro desgaste ao castigador e silenciador discurso interno da severa e doentia culpa autoimposta pelo jovem e exausto mestre dos ares.

O Fim da Fase Didática no Livro Dois: Terra

Os carismáticos combatentes carregam a amarga sensação de uma contínua e punitiva derrota em plena grande caminhada pelas poeirentas estradas vazias e perigosas do gigantesco continente. O calvo guardião ventoso e o furioso exilado real sentem internamente a perigosa falta do amadurecimento instantâneo que a urgente guerra mundial exige nos densos campos de combate abertos. A violenta injustiça armamentista de posicionar e largar a total salvação de inúmeras vilas humildes e castigadas nas pequenas e frágeis mãos juvenis fere mortalmente qualquer noção branda de empatia.

O incrível Livro Dois: Terra adquire um enorme e ágil ganho rítmico acelerado ao dispensar as longas e chatas regras teóricas sobre a mecânica milenar do domínio mágico. O esperto e enxuto material em celuloide recusa repetir cegamente e insistentemente os manjados padrões militares da velha disputa inicial encabeçada apenas pelos limitados navios imperiais marítimos. A renovada emancipação textual ganha aplausos e quebra de imediato a repetitiva engrenagem de eterna caçada que ditou com lentidão pesada grande parte da jornada inaugural da turma voadora e divertida.

As tensas peregrinações se tornam subitamente mais perigosas, deliciosamente focadas e fortemente permeadas pela densa mitologia antiga durante esta segunda parte gloriosa e aclamada pelo público nerd apaixonado pela trama. Acompanhamos a busca desenfreada da turma infiltrada sob as grossas fundações da gigantesca biblioteca secreta chefiada agressivamente pela bizarra, ancestral e onisciente gigantesca coruja mítica falante protetora do conhecimento universal contínuo. Experimentamos a aflição surreal incutida com terror pelas visões letais moldadas através da espessa lama venenosa de um imenso mangue pantanoso manipulador e autoconsciente escondido.

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A competente rede produtora ignora a sedutora tentação de tentar esclarecer as minuciosas particularidades logísticas destas ricas, complexas e belas grandes zonas periféricas exóticas vizinhas e isoladas da metrópole fortificada amuralhada. Os maravilhosos desenhistas entregam os esquisitos enigmas regionais de bandeja para o povo do sofá sem aplicar baratas ressalvas excessivamente realistas no traço. O envelhecido formato de isolamento narrativo domina as exibições com grande mérito por conseguir relatar as bizarrices locais lúdicas rapidamente sem entediar e saturar o público.

Azula, Toph e a Renovação Constante do Time Avatar

O barulhento, focado e faminto Time Avatar busca quase obcecadamente qualquer mestre treinado severo o bastante para transferir de modo rígido os conhecimentos geológicos da dobradura firme exigida perante antigas lendas encardidas ancestrais idosas e mal humoradas. Do lado escuro da mesma grande fita, o queimado e amargo renegado imperial ao lado de seu pachorrento parente gordo amante das pequenas coisas vagas da vida caminham fugidos escondendo o rosto. Esse denso núcleo formado por príncipes militares caídos funciona divinamente arrastando suas fracas esperanças sem destino pelo caminho arenoso e domina os principais méritos interpretativos.

O time base adquire frescor bélico na exata proporção da excelente coragem apresentada pela introdução inesperada de letais figuras nunca vistas dona da frieza das velhas histórias sombrias e poéticas imperiais. A veloz e assustadora soberana Azul assumindo a liderança do palco arrebata e comanda totalmente os trágicos rumos geopolíticos da caçada aos dissidentes em nome da coroa incandescente maligna tirana enlouquecida e cega. A calculista jovem vilã domina os holofotes facilmente, distribuindo fortes chamas e palavras venenosas cheias de absoluto desprezo afiado durante as longas e rápidas perseguições.

A sanguinária filha preferida do monarca dita severamente o árduo compasso sofrido e o calvário moral atravessado arrastadamente pelo desfigurado combatente errante das planícies hostis quentes castigadas e cruéis. O jovem confuso agoniza lentamente vitimado por graves alucinações nervosas intensas marcadas pela grande repulsa febril gerada por pesadelos tristes amargos regados a um banho de desilusões suadas em delírios. A intensa e explosiva rivalidade particular mantida brilhantemente entre Aang e Zuko cimenta perfeitamente a sombria grandeza desta magnífica película dividida em pequenos contos fantásticos sublimes magistrais dramáticos.

A rebelde e arrogante abastada Toph aterrissa com os pés pesados firmemente aterrados para brilhar intensamente como a adição estratégica permanente no pequeno esquadrão pacífico errante de resgate das causas pedidas globais humanitárias. A cega especialista ostenta uma afiada lâmina verbal de grosseria cirúrgica montada exatamente para furar e destruir a apatia acomodada dos veteranos pacifistas traumatizados pela opressão das chamas bélicas da grande falange destrutiva. A garotinha injeta duros conflitos interpessoais contínuos muito bem escritos nas interações até descobrir lentamente a nobre união no pequeno lombo peludo e carinhoso do bisão estático grandão bípede planador da fantasia clássica cult.

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A genial deficiente insere a grosseria corretiva bruta de modo enérgico no brando guardião mundial voador desprovido do ódio latente combativo, tornando as aulas um sofrido sacrifício contínuo muscular árduo no chão batido sem misericórdia pedagógica compassiva nenhuma com o aluno. A marcante desvantagem médica gera surpreendentes movimentos evasivos potentes enraizados unicamente e exclusivamente na impressionante audição rítmica canalizada diretamente das soltas e quebradas vibrações da grossa e porosa pedra lascada espalhada na quadra suja arenosa de escombros. A implacável genialidade dessa impiedosa prodígio demole agressivamente a oposição secreta esportiva no clandestino torneio rochoso, brindando qualquer leal espectador fã com puro espetáculo glorioso estridente vibrante agressivo.

Um Desafio Doloroso aos Limites de Avatar: A Lenda de Aang

O generoso velhote exilado real mantém seus incríveis blocos dramáticos confessionais serenos e tristes mascarando a silenciosa chaga invisível mortal profunda alojada firmemente sob seu gasto quimono. O grisalho general pranteia deprimido longe do seu acampamento humilde honrando o empoeirado retrato militar de seu jovem e forte filho abatido heroicamente fuzilado bem nas sujas e manchadas trincheiras inimigas longínquas da sua orgulhosa pátria armada incandescente temida global. O melancólico e mudo clipe apaga subitamente a fanfarra ruidosa musical e decide esmagar abertamente as lágrimas dos chocados observadores, mostrando as duras limitações psicológicas doloridas cruéis infligidas ferozmente a quem escolheu as lâminas contra a família.

A forte e imponente comandante Kyoshi chamada Suki cruza o caminho apressado do pequeno exército pacifista colorindo com muita beleza artesanal exótica seus duros, agressivos e pesados murros coreografados sem delicadeza contra oficiais blindados do rei vil metalizado opressor invasivo. As forças da tirania também aumentam assustadoramente recebendo os incríveis saltos perfeitos e as lâminas precisas das adolescentes letais Mai e Ty Lee agindo livremente longe dos palácios governamentais rígidos enfadonhos antigos. As graciosas e temíveis aliadas caçam ininterruptamente a carona grandiosa alada e ruidosa fugitiva encarnando e amplificando a grandiosa loucura violenta visual deslumbrante perigosa de Avatar: A Lenda de Aang perante a morte iminente constante sorridente nas emboscadas.

O asfixiante encargo santificado ancestral divino extrai com muita avareza o curto fôlego restante e quebra em pequenos estilhaços as pernas machucadas suadas alojadas debaixo da farda remendada infantil colorida usada orgulhosamente diariamente pelo fofo ventoso dobrador central esbaforido assustado focado desesperado mestre místico mágico. O covarde furto realizado na calada da sombria caverna levando amarrado e amordaçado o gigante guardião peludo voador demole qualquer sanidade emocional e fabrica instantaneamente duros choques paralisantes surtados desequilibrados violentos preenchidos de extrema fúria tempestuosa na pobre mentalidade da abatida criança encurralada sozinha na selva hostil.

O ágil roteiro cruza as pesadas fronteiras espirituais religiosas valendo-se unicamente dos velhos sacrifícios ancestrais severos para explicar firmemente a tortuosa doutrina mágica incrustada cruelmente sob a brilhante pele macia da exausta encarnação escolhida careca das velhas fábulas dos curandeiros pacatos idosos. A filosofia celestina renega ferozmente as necessidades e os amores corpóreos mundanos frágeis e condena sem indulgências os carinhos românticos e as ilusões triviais no pátio molhado e frio cheio de grandes escombros mortais lamacentos pontiagudos perigosos das sangrentas ruínas desoladas abandonadas bélicas destruídas rudes. O místico guerreiro sagrado enterra relutantemente seu puro instinto amável protetor e abraça sofrendo silenciosamente um isolamento punitivo insuportável gélido impiedoso forjado no fogo em devoção suprema exclusiva à grande promessa utópica de pacificação militar da cruel anarquia civil vigente caótica mundial genocida apocalíptica sanguinária.

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A elaborada ficção repudia facilmente atalhos rasteiros pautados em rápidas piadas infantis mastigadas para fixar impiedosamente a lente da dor densa existencial melancólica refletida nos finos contornos dos combalidos e sujos rostos do outrora resplandecente batalhão alegre destemido heroico central das fábulas infantis desbravadoras divertidas exóticas alienígenas incríveis visuais surreais épicas bonitas sonhadoras belas ricas fantásticas vislumbrantes lúdicas. O animado andamento original vendia alegre e efusivamente uma brilhante escapada rica festiva exuberante abarrotada de gargalhadas infantis soltas vibrantes nos barulhentos cais agitados repletos de frutas frescas marinheiros curiosos. A medonha caminhada opressiva corrente escancara secamente unicamente a devastadora crueza despida da agressão imperialista autoritária brutal asfixiante que extermina os sonhadores perdidos nas antigas grandes vilas agrícolas.

As pesadas e irreversíveis perdas trágicas mudam agressivamente toda a base amistosa dos antigos personagens carimbados na tela do canal emissor. O fenomenal estúdio de animação entrega um poderoso estudo psicológico realista perfeitamente disfarçado de leve fábula oriental episódica de matinê para a garotada. A merecida idolatria da cultura pop mundial dedicada à franquia sobrevive bravamente, alimentada pelo talento brilhante das mãos criativas que transformam roteiros simples em verdadeira arte televisiva cultuada.

Nota do Crítico

Obra-prima

Wellington Farias

O Veredito

A Lenda de Aang – Livro Dois: Terra, troca o tom didático pelo peso das consequências. Com as chegadas brilhantes de Azula e Toph, a animação atinge a maturidade, entregando uma aventura densa e obrigatória sobre culpa e o difícil amadurecimento dos heróis.

Ficha Técnica

  • Título: Avatar: A Lenda de Aang – Livro Dois: Terra (Avatar: The Last Airbender – Book Two: Earth, EUA, 2006)
  • Criado por: Michael Dante DiMartino, Bryan Konietzko A Lenda de Aang
  • Direção:Lauren MacMullan, Giancarlo Volpe, Anthony Lioi, Ethan Spaulding
  • Roteiro:Michael Dante DiMartino, Bryan Konietzko, Nick Malis, Aaron Ehasz, Matthew Hubbard, John O’Bryan, Tim Hedrick, Ian Wilcox, Elizabeth Welch Ehasz, Joshua Hamilton
  • Elenco:Zach Tyler, Mae Whitman, Jack De Sena, Dee Bradley Baker, Dante Basco, Mako, André Sogliuzzo, Mark Hamill, Greg Baldwin, James Garrett, Michaela Jill Murphy, Grey Griffin, Cricket Leigh, Olivia Hack, Clancy Brown
  • Duração:508 min. (20 episódios)

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